Quando uma rota deixa de ser viável, uma ligação é cancelada ou um porto enfrenta constrangimentos, a diferença entre um problema e uma crise pode estar na existência de uma alternativa previamente preparada.
No transporte internacional, nem tudo acontece de acordo com o planeado.
Congestionamentos portuários, condições meteorológicas adversas, greves, alterações de serviços, falta de capacidade, atrasos, constrangimentos operacionais ou mudanças no contexto internacional podem afetar uma operação que, à partida, parecia perfeitamente definida.
Algumas situações são difíceis de prever. Mas isso não significa que as empresas não se possam preparar para elas.
É precisamente aqui que entra o Plano de Contingência Logística.
Mais do que uma solução de emergência, trata-se de antecipar cenários, identificar alternativas e estabelecer prioridades antes de surgir um problema.
Porque, quando uma rota falha, começar a procurar uma solução pode já ser demasiado tarde.
Um Plano de Contingência Logística define antecipadamente como uma empresa poderá reagir perante acontecimentos capazes de comprometer o normal funcionamento da sua cadeia de abastecimento.
Não significa prever todos os problemas possíveis.
Significa identificar os riscos mais relevantes para cada operação e perceber quais as alternativas disponíveis caso algum desses riscos se concretize.
Dependendo da operação, isso pode passar por considerar:
O objetivo é simples: reduzir o tempo necessário para reagir quando algo não corre como previsto.
Numa operação internacional, existe uma longa cadeia de acontecimentos entre a saída da mercadoria e a sua chegada ao destino.
Um constrangimento num porto de transbordo, o cancelamento de uma ligação, uma alteração de frequência ou a falta de capacidade num determinado serviço podem afetar toda a operação.
É por isso que analisar apenas a origem e o destino pode não ser suficiente.
É necessário compreender todo o percurso da mercadoria e identificar os pontos onde existe maior exposição ao risco.
Quanto maior for essa visibilidade, maior será também a capacidade para preparar alternativas.
Uma das ideias mais importantes num Plano de Contingência Logística é que uma alternativa só é realmente útil se for operacionalmente viável.
Mudar de porto, por exemplo, pode implicar alterar o transporte terrestre, os horários, os procedimentos documentais ou até os custos associados à operação.
Trocar o transporte marítimo pelo aéreo pode reduzir significativamente o tempo de trânsito, mas representar um aumento substancial do custo.
Recorrer ao transporte rodoviário ou ferroviário pode ser uma solução em determinadas geografias, mas não necessariamente noutras.
Por isso, um verdadeiro Plano B não consiste apenas em identificar uma segunda opção.
Consiste em perceber antecipadamente quando essa opção deve ser utilizada, que impacto terá e quais os recursos necessários para a colocar em prática.
Outro aspeto fundamental é perceber que nem todas as operações exigem o mesmo nível de contingência.
Uma mercadoria destinada a repor stock com várias semanas de margem não tem a mesma criticidade que um componente necessário para manter uma linha de produção em funcionamento.
Da mesma forma, produtos perecíveis, mercadorias de elevado valor ou encomendas associadas a compromissos comerciais específicos podem exigir estratégias diferentes.
Um Plano de Contingência Logística deve, por isso, considerar fatores como:
Criticidade da mercadoria
Qual seria o impacto de um atraso?
Tempo disponível
Quantos dias de margem existem antes de o atraso começar a afetar a operação?
Valor da mercadoria
O custo de uma solução alternativa é proporcional ao risco que estamos a evitar?
Disponibilidade de stock
Existe stock de segurança capaz de absorver uma interrupção temporária?
Flexibilidade do transporte
É possível alterar rota, serviço ou modo de transporte?
Esta análise permite definir diferentes níveis de resposta e evitar decisões tomadas exclusivamente sob pressão.
Quando não existe uma alternativa previamente estudada, as decisões tendem a ser tomadas num contexto de urgência.
E a urgência tem frequentemente um custo.
Pode significar recorrer a transporte aéreo quando uma solução marítima alternativa teria sido possível, aceitar serviços mais caros por falta de capacidade disponível ou suportar custos adicionais de armazenagem, movimentação e transporte.
Mas o impacto pode ir muito além do próprio custo logístico.
Um atraso pode provocar ruturas de stock, interrupções de produção, incumprimento de prazos perante clientes ou perda de oportunidades comerciais.
Por isso, o custo de um incidente logístico não deve ser medido apenas pelo valor adicional do transporte.
Deve considerar também o impacto que esse incidente pode provocar no negócio.
É difícil avaliar alternativas com rigor quando uma mercadoria já está parada, um cliente aguarda uma entrega ou uma fábrica necessita urgentemente de determinado componente.
O melhor momento para analisar uma contingência é antes de ela acontecer.
Isso implica conhecer a operação, identificar os seus pontos críticos e colocar algumas perguntas antecipadamente:
Estas perguntas podem parecer excessivas quando tudo está a funcionar normalmente.
Tornam-se essenciais quando deixa de estar.
Nenhuma cadeia de abastecimento internacional consegue eliminar totalmente a incerteza.
O objetivo deve ser outro: reduzir a exposição e aumentar a capacidade de resposta.
Uma cadeia logística resiliente não é necessariamente aquela onde nunca existem problemas.
É aquela que consegue adaptar-se quando eles surgem.
Isso exige informação, planeamento, flexibilidade e parceiros capazes de analisar diferentes cenários e encontrar soluções adequadas a cada operação.
Porque, em logística internacional, ter um Plano B não significa esperar que o Plano A falhe.
Significa estar preparado caso isso aconteça.
Na WLP – Worldwide Logistics Portugal, acreditamos que uma operação logística eficiente não termina na escolha de uma rota ou de um modo de transporte.
É necessário compreender o negócio, avaliar riscos, analisar alternativas e acompanhar cada operação com uma visão global.
A experiência, o conhecimento dos mercados e uma rede internacional de parceiros permitem-nos estudar diferentes soluções e adaptar cada operação às necessidades específicas de cada cliente.
É um conjunto de procedimentos e alternativas previamente definidos para permitir que uma empresa reaja a acontecimentos que possam afetar a sua cadeia de abastecimento, como atrasos, indisponibilidade de rotas, falta de capacidade ou outros constrangimentos operacionais.
Podem incluir rotas, portos, aeroportos, transportadores ou serviços alternativos, diferentes modos de transporte, soluções multimodais, ajustamentos de stock e procedimentos específicos para mercadorias consideradas críticas.
O nível de planeamento necessário depende da atividade, dos mercados, das mercadorias e do impacto que uma interrupção logística pode provocar. Quanto maior for a dependência de cadeias de abastecimento internacionais ou de prazos críticos, maior será a importância de preparar alternativas.
Não necessariamente. O objetivo é conhecer antecipadamente as alternativas e os respetivos impactos. Em muitos casos, preparar uma solução antes de existir uma urgência pode evitar decisões significativamente mais dispendiosas quando surge um problema.
Sempre que existam alterações relevantes na cadeia de abastecimento, nos fornecedores, mercados, rotas ou necessidades da empresa. Mesmo sem alterações significativas, é aconselhável rever periodicamente as alternativas para confirmar que continuam disponíveis e adequadas.


